sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Jane Austen foi envenenada?




Jane Austen, a autora de clássicos como Orgulho e Preconceito e Razão e Sensibilidade, pode ter morrido envenenada por arsênico, segundo uma escritora policial que analisou as últimas cartas da romancista britânica. A pista crucial está em um trecho escrito por Austen alguns meses antes de sua misteriosa morte, em 1817.


Descrevendo as semanas em que permaneceu enferma, Austen escreveu: "Estou consideravelmente melhor agora e recuperando um pouco a aparência, que já esteve bem mal, com manchas brancas, pretas e de todas as cores erradas”.


Segundo Lindsay Ashford, escritora policial britânica, o trecho descreve os sintomas de envenenamento por arsênico "que causa manchas na pele se ingerido em doses pequenas por um longo tempo”.


"Conhecido como efeito ‘gota de chuva’, provoca manchas marrom-escuras ou negras em partes da pele, enquanto outras áreas perdem todo o pigmento e ficam brancas”, escreveu Ashford no Daily Mail.


A teoria ganhou consistência quando Ashford descobriu que um mecha de cabelos de Austen, arrematada um leilão em 1948 por um casal americano já falecido, apresentava traços de arsênico


"O arsênico no cabelo de Jane indica que ela havia ingerido o veneno nos meses anteriores à sua morte”, afirmou Ashford.


A morte precoce de Austen, aos 41 anos, há muito tem gerado especulações entre historiadores.


Inicialmente, sua doença misteriosa e fatal foi identificada como doença de Addison, um raro distúrbio das glândulas supra-renais; outros diagnósticos apostaram em linfoma de Hodgkin; lúpus, uma doença auto-imune; doença de Brill- Zinsser (uma forma recorrente de tifo que a escritora contraiu quando criança) e tuberculose disseminada de origem bovina.


"Todas essas condições provocam alguns dos sintomas relatados por Jane, mas nenhum deles é compatível com os descritos na carta”, explica Ashford.


A autora acredita que Austen pode ser sido medicada com remédios contendo arsênico. De fato, o veneno era amplamente prescrito na época para tratar diversas doenças, de sífilis a reumatismo (condição que a romancista admitiu ter contraído).


"Há, é claro, outra hipótese: a de que ela tenha sido intencionalmente envenenada. Talvez seja improvável, mas não impossível”, especula Ashford.


A escritora explora a teoria do assassinato em seu novo romance, "The Mysterious Death of Miss Austen" (A Morte Misteriosa da Senhorita Austen, em tradução livre), cujo foco é a família de Austen, fonte constante de desconfianças e dúvidas, apesar de ter sido minunciosamente investigada.


"Muita coisa desapareceu. Cassandra (irmã de Austen) queimou dezenas de cartas de Jane depois de sua morte – e ninguém sabe por quê”, afirmou Ashford.


Como "cartas e diários não podem e não vão nos dizer o que realmente matou Jane Austen", o mistério sobre o último capítulo da vida da grande escritora provavelmente jamais será desvendado.


É muito improvável que os ossos de Austen sejam exumados para que sejam submetidos aos modernos testes forenses, admitiu Ashford.


"Isso provocaria a indignação dos fãs de Austen, sem falar no grande número de pessoas que alegam ser seus parentes distantes. Mas coisas estranhas aconteceram, e talvez um dia o mistério de sua morte seja solucionado de uma vez por todas”, finaliza.


Disponível em: http://blogs.discoverybrasil.uol.com.br/noticias/2011/11/jane-austen-foi-envenenada.html

0 comentários: